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19/03/2019

Infecções de pele em lutadores de MMA

Saiba um pouco mais sobre esse tipo de lesão, muito comum entre atletas.

Por Victor Titonelli – Médico da CABMMA

As lesões de pele nos atletas de MMA, são muito prevalentes e são achados cada vez mais comuns, estando mais presentes em atletas de elite, do que na população geral. É um tema de extrema relevância, já que são lesões que podem tirar o atleta da luta após um “camp” sofrido e pode também ter um potencial catastrófico necessitando de longos períodos de hospitalização ou até mesmo deixar sequelas irreversíveis.  Segundo o National Collegiate Athletic Association (NCAA) esta, é a causa mais comum de afastamento dos atletas de  wrestlers durante o “camp”, correspondendo em cerca de 17% por esses. O local mais comum de infecção entre atletas é a pele e essas, estão relacionadas com o tipo da mesma, idade, sexo e fatores hereditários. As modalidades com maior incidência de lesão são na ordem decrescente: wrestling, Judô/jiu-jitsu, karatê e boxe.

Os patógenos  mais comumente encontrados são:

Herpes simplex vírus, que correspondem a cerca de  22% das infecções, sendo muito comum a recidiva, e os locais no corpo mais  acometidos são cabeça, face e pescoço.

Staphylococcus aureus/ Streptococcus pyogenes, infecções bacterianas      que correspondem a respectivamente em cerca de 13% e 14 % das lesões.

MARSA (Staphylococcus aureus resistentes a meticilina), nas quais os surtos são difíceis de erradicar e cerca de 70% desses pacientes necessitam hospitalização para antibioticoterapia venosa. Está cada vez mais  comum o aparecimento de novos casos com potencial catastróficos.

Fúngicas, sendo que o fungo mais comum é o Trichophyton tonsurans.

As lesões mais comuns são impetigo, celulite e erisipela que são causadas respectivamente pelo   Staphylococcusaureus e  Streptococcus, e os abcessos.

Existe um risco maior no atleta de desenvolvimento dessas lesões, devido a pele úmida ocasionada pelo suor, lacerações na pele causadas pelo trauma o que configura uma porta de entrada e com isso, gerando chances 3 vezes maior de desenvolver infecção do que os que não tem abrasões , e o contato pele a pele que gera um grande potencial de transmissão.

No wrestling, jiu-jitsu e judô a  tínea corporis que é mais conhecida como  “tinea gladiatorum” é a infecção mais comum, sendo causada por fungos e é  favorecida pelo contato e pelo fato da temperatura da pele estar aumentada e úmida. É uma dermatofitose mais comumente causada pelos fungos Trichophyton ou Microsporum. Outra infecção comum nessa modalidade é o Herpes gladiatorum que é uma Infecção viral causada pelo Herpes simplex e é muito contagiosa, aumentando muito a chance de transmissão ao treinar com parceiro infectado.   Molusco contagioso ou molusco “gladiatorum” é outra Infecção viral causada pelo vírus  Pox vírus também com grande potencial de contágio.  Bem menos comum dos que as citadas anteriormente existe o Impetigo que é uma Infecção bacteriana causada pelo Streptococcus ou Stafilo aureus.

Os fatores de risco mais importantes para a transmissão das doenças da pele  são:

Quimonos úmidos deixados trancados por dias dentro dos armários, o que pode causar colonização destes por patógenos infectantes, equipamentos de uso comunitário na academia, lacerações cutâneas, contato pele a pele (esses 2 últimos são considerados os fatores de risco mais importantes)  e tatames sujos de sangue.

Em relação aos mecanismos de prevenção podemos citar:

  • Lavar as mãos com sabonetes naturais e água, frequentemente
  • Manter os cortes ou abrasões cobertas durante a prática, ou até mesmo se afastar dos treinos até a resolução completa dos mesmos
  • Evitar contato com feridas de outros atletas
  • Não compartilhar toalhas, roupas ou equipamentos
  • Trocar roupas frequentemente e não deixar úmidas, trancadas no vestiário até o próximo treino
  • Detecção e tratamento precoces, orientados sempre por um médico especialista
  • Vigilância constante
  • Banho com sabonete antibactericida (controverso)
  • Afastar o atleta das atividades durante a fase de contágio
  • Screening dermatológico regular
  • Desinfeção dos equipamentos/tatame diariamente com agentes fungicidas e bactericidas
  • Tomar banho imediatamente após o treino/competição usando chinelo pra evitar contágio através do chão infectado
  • Testes sorológicos anuais

Em relação a Tínea, existem estudos recentes que tem demonstrado resultados promissores com a profilaxia usando fluconazol, já em relação a Herpes, a vacinação tem sido usada no Reino Unido, porém ainda não está disponível para uso nos Estados Unidos nem no Brasil.