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Dirigente antidopagem adverte que se Anderson Silva estivesse sob a autoridade da WADA, poderia ter pena mais pesada

02/03/2015 - Fonte : O GLOBO

Marco Aurelio Klein firma convênio com associação de farmacêuticos e anuncia que ABCD fará 80% de exames fora de competição

 
RIO - O secretário nacional da Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD), Marco Aurelio Klein, lamentou o caso do lutador brasileiro de MMA Anderson Silva, que teve resultado positivo por uso de anabolizantes. Mas alertou que se sua modalidade já estivesse sob o guarda-chuva jurídico da Wada (Agência Mundial Antidoping), ele poderia pegar uma pena muito mais pesada que aquela à que poderá ser submetido pela Comissão Atlética do Estado de Nevada, nos EUA.

— O caso de Anderson mostra o estrago do doping. Meu trabalho na ABCD é criar uma rede de proteção e orientação para que o atleta não faça uso de substâncias proibidas e que ele não passe por tal situação. Se alguém quiser fazer, queremos mostrar a ele que não vale a pena. É como alguém que quer andar de moto. Se quer andar, tem de obedecer às regras e usar capacete. Se quer dirigir, não pode beber. A ABCD não pune ninguém. A punição está no código da Wada. Queremos mostrar que o doping é muito ruim para o esporte e para a saúde — afirmou ele, relatando que a Comissão Atlética do MMA do Brasil vem tentando se adequar às normas da ABCD. — Eles já tinham se reunido conosco em novembro e pediram para se colocarem sob o guarda-chuva jurídico do controle mundial de dopagem. Se eles se ajustarem ao código da Wada, as penas passarão a ser mais pesadas. A partir deste ano, a pena mínima pelo código da Wada passa ser de quatro anos. A Comissão de Nevada não segue este código. Pela Wada, a pena de Anderson seria de no mínimo quatro anos.

Anderson está suspenso preventivamente, depois de ter dado resultados positivos por anabolizantes em dois exames no mês passado. O julgamento na Comissão Atlética de Nevada deverá ser em março ou abril. O atleta alega que tenha ocorrido contaminação de medicamento. Mesmo fazendo a ressalva de que não queria se aprofundar no caso de Anderson, porque não o conhece, nem teve a oportunidade de ver os exames, Klein lamentou que o caso tenha ocorrido com um ídolo do esporte nacional e internacional.

— Acho muito, muito, muito impactante um caso de dopagem de alguém como Anderson, com a popularidade e a representatividade de um ídolo, em especial diante das crianças. Isso mostra os estragos do doping. A dopagem não é sobre drogas. É sobre ética, é sobre fraude. Se há uma fraude, os outros atletas, as outras pessoas foram enganadas — afirmou o secretário.

No Rio para as reuniões da Comissão de Avaliação do Comitê Olímpico Internacional sobre os preparativos para a Rio-2016, Klein anunciou nesta quarta-feira a assinatura, no último dia 20, de acordo de cooperação com a Associação Nacional de Farmacêuticos Magistrais (Anfarmag), que reúne os especialistas em farmácias de manipulação, visando a prevenir a contaminação de suplementos utilizados por atletas e produzidos neste tipo de farmacias. A ideia surgira há um ano e meio, quando o secretário assistiu a uma palestra do presidente da Anfarmag, Ademir Valério da Silva.

— Frequentemente, atletas se preocupam com a contaminação cruzada (dos suplementos que encomendam), e então a ideia da ABCD era a de desobrir o que fazer para mitigar este problema. O nosso objetivo é proteger o atleta (da dopagem). Cesar Cielo, por exemplo (quando foi flagrado em teste antidoping em 2011) disse que seu suplemento havia sido contaminado na farmácia de manipulação. Então, entramos em contato com a Anfarmag e estabelecemos o acordo — relatou. — O primeiro passo foi a ABCD informar aos farmacêuticos da necessidade de preservar os atletas quanto ao uso de substâncias proibidas. Para isso, informamos à Anfarmag da lista de substâncias proibidas que está no nosso site (http://abcd.gov.br/arquivos/lista20150101.pdf), e por sua vez a Anfarmag nos informou toda a regulamentação a que a classe está submetida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e nos explicou que todo medicamento produzido por manipulação fica registrado em um livro. O atleta e sua equipe técnica terão o direito de saber o que foi usado antes (na fabricação do suplemento).

Para o presidente da Anfarmag, Ademir Valério da Silva, sempre foi muito preocupante à classe de proprietários de 7,5 mil farmácias do gênero no país, as alegações usadas por atletas que têm resultados positivos e acusam estes estabelecimentos de contaminação.

— O processo de manipulação de suplementos vitamínicos passa por alto controle, e a contaminação alegada é pouco provável, quase impossível. Queremos deixar claro a atletas que os medicamentos e suplementos são seguros. O Brasil é referência mundial na farmacologia individualizada (farmácias de manipulação), e temos colegas europeus que vêm ao Brasil conhecer nosa tecnologia e nossos processos de produção — destacou Valério.

A respeito da situação do antigo Ladetec, da UFRJ, no Rio, descredenciado em 2013 pela Wada, por uma série de inconformidades com os métodos exigidos, este está próximo de ser novamente acreditado, a tempo dos Jogos do Rio, em 2016. Segundo Klein, a nova instalação denominada Laboratório Brasileiro de Controle de Dopagem (LBCD), já percorreu 80% do caminho rumo ao seu novo credenciamento. Normalmente, o processo leva de três a cinco anos, mas a própria Wada estabeleceu para o caso do Rio um caminho mais curto. Em junho do ano passado, o novo laboratório recebeu avisita do diretor científico da Wada,o francês Olivier Rabin, e em agosto, teve início um processo de oito meses em que o laboratório vem sendo testado.

— Neste prazo de oito meses, estão ocorrendo três visitas de auditores da Wada e de outros laboratórios credenciados e cinco testes probatórios, com lotes de 16 ou 32 amostras de sangue e de urina que já foram testados noutros locais. O LBCD tem de testar estas amostras, obtendo resultados iguais aos que já foram feitos. No nosso caso, ainda falta uma visita e um teste probatório, a nossa prova final — explicou. — O diretor Olivier Rabin disse ao ministro do Esporte, George Hilton, que o LBCD está caminhando bem. A decisão final será em maio, e se for positiva, o laboratório deverá ser acreditado em junho.

Klein deixou claro que a ABCD irá trabalhar cada vez mais com a inteligência e com a informação e a prevenção, em vez de apenas cuidar da repressão.

— O Brasil vive um momento olímpico e paralpímpico e queremos reforçar a proteção e a prevenção para que os atletas não caiam no doping, não usem substâncias proibidas. Isso vai beneficar não apenas atletas olímpicos e paralímpicos, mas todos. O controle de dopagem vai crescer em qualidade, no que diz respeito à intensidade dos testes, aos testes de sangue e de urina, e também no que diz respeito à informação. Temos uma programção de foco nos testes de fora da competição, como já ocorre nos EUA e no Reino Unido. Os americanos fazem 80% dos testes fora de competição em 20% em competição, e é o que queremos alcançar — destacou ele.

Por volta do dia 9 de abril, a ABCD deverá realizar, em São Paulo um seminário para atletas olímpicos e paralímpicos, além de médicos e treinadores sobre o trabalho da ABCD e o novo código da Wada.

— Teremos palestras sobre o uso de suplementos e vamos trazer um atleta que foi medalhista olímpico e perdeu tudo, inclusive a família, por causa de doping. É Tyler Hamilton, do ciclismo, ouro em Atenas-2004, que integrava o grupo de Lance Armstrong. Ele é autor do livro “A Corrida secreta de Lance Armstrong” e tem dado palestras para a Wada. Foi banido do esporte e pode contar o que acontece com quem se dopa — sublinhou o dirigente.

SOBRE A CABMMA
 
A “Comissão Atlética Brasileira de MMA”, ou CABMMA, é uma instituição neutra e sem fins lucrativos. E foi fundada com o intuito de cuidar, principalmente, da segurança dos atletas (amadores ou profissionais), tendo como foco o crescimento seguro e organizado do esporte.
 
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