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MMA não é rinha de galo

28/01/2014 - Fonte : O GLOBO - Texto : RAFAEL THOMAZ FAVETTI

A Johns Hopkins University, após um estudo de cinco anos, divulgou que a taxa de lesões é de 23,6%. Comparativamente, esse índice é menor que o do boxe.

 

A dor de Anderson Silva foi vista por centenas de milhares de pessoas em todo o mundo. No Brasil, as imagens deram novo impulso aos que pretendem impedir a realização de eventos ou mesmo a transmissão de MMA pela TV aberta. Dizem, como se fosse uma revelação de parâmetros ideais, que o MMA é proibido no estado de Nova York e na França, sem ter a consciência das idiossincrasias desses lugares. Desconhecem que no estado americano há uma disputa política em torno dos sindicatos dos cassinos, que respinga no MMA; a força da confederação francesa de judô está a vencer a disputa televisiva, impedindo a geração de imagens de eventos de MMA ante o receio de perder telespectadores para o novo esporte.

Em geral, os ataques ao Mixed Martial Arts partem dos seguintes pressupostos: a) seria violento e se aproximaria de uma rinha de galo ou tourada (como sugeriu Flavia Piovesan, em artigo recentemente publicado no GLOBO); b) influenciaria maleficamente nossas crianças; c) por isso deveria ser proibido.

Não há duvidas que o MMA é um esporte de contato. Contudo, as definições de violência têm como núcleo a figura da vítima, mesmo que esta não seja um sujeito humano, como os touros e os galos. Dessa forma, a “vítima” é caracterizada pela sua incapacidade de não sofrer a agressão. No caso de qualquer esporte não se têm vítimas, mas atletas. Mesmo o derrotado não se enquadra no conceito de vítima. Ademais, a existência de regras e protocolos fiscalizados por uma entidade independente também descaracteriza o MMA como uma rinha de pessoas ou algo do gênero. Nos eventos regulados pela CABMMA — a comissão atlética brasileira, que dentre os eventos fiscaliza o mais famoso de todos, o UFC —, os padrões relativos à segurança dos atletas são seguidos militarmente, bem como os protocolos para que se garanta a “paridade de armas” dos oponentes nas lutas, com transparência, seriedade e profissionalismo dos inspetores, da equipe médica, dos árbitros etc. Se o evento é regulado por uma entidade independente e profissional, não há diferença quanto à segurança do atleta, entre uma luta de MMA e quaisquer outras modalidades esportivas de contato. A Johns Hopkins University, após um estudo de cinco anos, divulgou que a taxa de lesões no MMA é de 23,6%. Comparativamente, esse índice é menor que o do boxe. As concussões mais graves já registradas — 3% — são braços ou canelas fraturadas, tanto que a fratura do Anderson foi uma das mais impactantes da história. Entretanto, poucas horas depois do acontecido, o Spider já se comunicava com o mundo via redes sociais. O estudo aponta, ainda, que não houve registro de caso mais grave — como perda da capacidade física ou morte — em eventos regulados.

É facilmente constatado que os lutadores são verdadeiros ídolos e replicam valores de disciplina, respeito e lealdade. A popularidade desse esporte é enorme, possuindo um dos mais amplos leques quanto às questões de gênero, idade e classe social. Em verdade, o MMA é talvez o único esporte em que os árbitros são ídolos. Em uma audiência pública recente na Comissão de Esportes da Câmara dos Deputados, vários deputados cercaram o árbitro brasileiro Mário Yamasaki, a fim de descolar um autógrafo para os netos e para si próprios, isso sem falar do frenesi geral causado em torno do ídolo.

O MMA é um esporte em evolução rápida e não há como comparar o atual estágio do esporte com os antigos “vale-tudo”, pois as atuais regras são pensadas na preservação física dos atletas. O MMA, como qualquer outro esporte, tem e teve um caminho natural de aprimoramento de suas regras. Vale relembrar as normas da F1 que foram sendo paulatinamente implementadas para oferecer menor risco aos praticantes. Como um racha na rua não configura uma corrida de F1, uma briga não é MMA, nem boxe, nem nenhum esporte. É a ignorância quanto às regras do MMA que causa uma miopia quanto à sua ontologia. A partir de pressupostos ilusórios e confusos, algumas afirmações soam perdidas, pois misturam os alhos com os bugalhos, como a que anuncia uma “rinha humana”: definitivamente não é disso que se trata.

De tudo, causa espanto se aventar de se proibir, por lei, a transmissão televisiva do esporte. Sem dúvidas esconde um preconceito elitista, pois é uma clara tentativa de tutelar os prazeres populares.

Mas o que mais preocupa é o namoro com a mofada censura prévia. Por “N” motivos, não dá para se brincar com isso, nem sob falsos argumentos de proteção ao telespectador ante uma canela quebrada.

SOBRE A CABMMA
 
A “Comissão Atlética Brasileira de MMA”, ou CABMMA, é uma instituição neutra e sem fins lucrativos. E foi fundada com o intuito de cuidar, principalmente, da segurança dos atletas (amadores ou profissionais), tendo como foco o crescimento seguro e organizado do esporte.
 
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